Mato Grosso do Sul tem condições de se tornar o “Vale do Silício do Agronegócio”, consolidando-se como referência mundial em inovação e sustentabilidade. É o que pensa o ex-secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso do Sul, Jaime Verruck, que esteve à frente da pasta por 11 anos e três meses.
Verruck lembra que inovação e tecnologia não se resumem a aplicativos ou inteligência artificial, tendo inúmeras possibilidades também no desenvolvimento de novas práticas e pesquisas. O tema foi pauta de conversa com empresários esta semana, na aceleradora Pantatech em Campo Grande, quando cerca de 30 empreendedores participaram da palestra: Rota Bioceânica: desafios e oportunidades para startups de Mato Grosso do Sul.
Na ocasião, ele falou sobre diversas ações que criam ambiente para que os empresários coloquem suas ideias em prática e citou a lei da inovação, considerada o marco legal para incentivar a pesquisa e o empreendedorismo tecnológico no estado.
“Existe a vontade do empreendedor e por outro lado nós temos uma cadeia de ciência e tecnologia que é fundamental, os laboratórios, as pesquisas. É um ecossistema e a grande busca é desenvolver isso, de tal forma que aqui vire efetivamente uma usina permanente de ideias”, disse Verruck.
Ele pontuou que o grande desafio da inovação é a escalabilidade. “O quanto é possível replicar isso para que seja utilizado também em grande escala. Esse é sempre o grande objetivo de qualquer inovação. Ouvir as dores e criar: é exatamente isso”, resumiu Verruck, que atualmente é pré-candidato a deputado federal pelo Republicanos.
Inovação no agro — Nesse sentido, ele lembrou de ações que impulsionam a tecnologia e inovação também no agronegócio, como o lançamento do AgroValley, um novo ecossistema de aceleração de startups voltado ao desenvolvimento de soluções para o agro tropical brasileiro.
“O AgroValley, que é essa parceria com o Google, permite desenvolver a ideia de que consigamos nos tornar o Vale do Silício para a questão do agronegócio, assim como Mato Grosso do Sul se tornou o Vale da Celulose”, projetou Verruck.
A iniciativa é liderada pela VivaTerra Ventures, que pretende investir em startups do setor e atualmente está em fase de captação de seu primeiro fundo de investimentos. O projeto nasce em parceria com a Uems (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul), a Fundação MS e o Governo de Mato Grosso do Sul, além de contar com o apoio tecnológico do Google Cloud, segundo a Agência de Notícias de MS.
Ações estruturantes — Durante o período em que esteve à frente da Secretaria, Verruck conduziu processos que viabilizaram ações estruturantes na área, permitindo o avanço de Mato Grosso do Sul em várias frentes: além da legislação, criação de programas inéditos de Ciência,Tecnologia e Inovação (CT&I) — apontando caminhos na direção da rota bioceânica, desenvolvimento de deep techs, bioeconomia e descarbonização da indústria, entre outros —, criação e apoio ao desenvolvimento dos ecossistemas de inovação — como “braços” da política pública estadual nos municípios, já são 13 em todo o estado —,. parcerias institucionais com entidades nacionais e internacionais para estimular o desenvolvimento científico e a transferência de tecnologia, como a firmada com o INCT da UCDB que já começou a desenvolver soluções para o combate ao greening.
Além disso, está em construção uma parceria robusta nas áreas de inovação e sustentabilidade com as universidades de Birmingham (Inglaterra) e Lucerne (Suíça) e ações de apoio aos municípios do Cidade Empreendedora, dentro da agenda de inovação proposta pelas prefeituras.
Futuro – Verruck destacou também o apoio a quase 200 projetos de deep techs, dos quais 45 receberão mentorias para elaborar planos de negócios e captar recursos, apoio aos núcleos de inovação tecnológica das universidades, para ajudá-los a preparar a pesquisa de forma a sair da bancada e avançar para o mercado, certificação de ambientes de inovação e laboratórios para ir além da função pedagógica e ampliar serviços.
As relações da academia e o mercado estão em processo de adensamento, com quase 400 empresas com suas “dores” atendidas pelas universidades. Além disso, o trabalho para atração de empresas e estímulo à criação de polos empresariais de biotecnologia, por meio de parceria com a Associação Nacional de Empresas de Biotecnologia, visando o MS como território biotech.
Ainda há previsão de coorganização do Forest Insight 2026 e o SIF Summit, eventos do setor florestal, em que as empresas âncoras já mapearam oito dores que serão lançadas como desafio para pesquisadores e startups buscarem a solução.
Para Verruck, “o estado está pronto para a competitividade internacional e para se tornar um vale permanente de ideias, capaz de transformar o agronegócio e projetar o Mato Grosso do Sul no cenário mundial”, concluiu.